Nubank vs Mercado Livre: ecossistemas digitais em colisão

Por que Nubank e Mercado Livre deixaram de competir por produtos e passaram a competir por contexto

Nos últimos anos, Nubank e Mercado Livre tornaram-se duas das marcas mais relevantes da economia digital na América Latina. Só que a história deixou de ser “fintech de um lado, e-commerce do outro”. Hoje, a disputa real é pela jornada completa do consumidor: onde a pessoa descobre, decide, compra, paga, parcela, volta, recomenda e repete.

O que está em jogo não é apenas volume de transações. É controle de contexto, dados, recorrência e principalidade. Quem ganha espaço no ecrã principal do consumidor passa a ditar as regras do resto do funil.

A mudança de fase ficou evidente em 2025, quando o Nubank reportou uma base de 127 milhões de clientes e continuou a expandir o seu portfólio e a sua presença fora do crédito tradicional. Já o Mercado Livre reforçou a força do seu ecossistema ao reportar quase 70,8 milhões de compradores únicos e 68 milhões de usuários ativos mensais no Mercado Pago no 2T25.

Duas máquinas de escala. Dois modelos de ecossistema. Uma convergência inevitável.

Por que agora parece um duelo direto

Durante muito tempo, era fácil separar os territórios:

Nubank: serviços financeiros, experiência mobile, expansão por produtos
Mercado Livre: marketplace, logística, pagamentos e serviços para sellers

Só que o tabuleiro mudou quando ambos começaram a atacar o mesmo “ponto de captura de valor”: o momento da compra e do pagamento, com crédito e conveniência embutidos.

Um exemplo simbólico é a integração do NuPay na Amazon Brasil, anunciada em novembro de 2025, permitindo pagamento no checkout sem sair da jornada de compra, com uma proposta de fluidez e facilidade.

Do outro lado, o Mercado Livre continua a expandir o Mercado Pago como conta e infraestrutura financeira dentro e fora do marketplace, com crescimento consistente de engajamento e carteira de produtos.

O núcleo da disputa: ecossistema vertical vs ecossistema orquestrado

Uma forma útil de entender o duelo é pensar em dois modelos de construção de ecossistemas.

Mercado Livre: ecossistema vertical integrado

O Mercado Livre construiu um sistema em que comércio, pagamentos, crédito e logística reforçam-se mutuamente. O marketplace gera tráfego e recorrência, a logística reduz fricção, o Mercado Pago monetiza pagamentos e crédito, e a base de sellers alimenta a oferta.

O resultado é um efeito de rede clássico: mais compradores atraem mais vendedores, mais vendedores aumentam sortimento e competitividade, e isso volta a atrair compradores.

Os números do 2T25 ajudam a dimensionar isso: 70,8 milhões de compradores únicos e 52% das entregas em same day ou next day, reforçando a vantagem operacional e a experiência.

Nubank: ecossistema centrado na relação financeira e em parcerias

O Nubank segue uma lógica distinta. Em vez de “possuir tudo”, ele posiciona-se como o centro da relação com o cliente e expande para adjacências por meio de produtos próprios e parcerias. A integração do NuPay em grandes jornadas de compra é um exemplo claro.

E aqui entra um dado que muita gente ignora: mesmo com enorme base, monetizar com profundidade leva tempo. No call do 1T25, o Nubank afirmou que, apesar de já ter uma participação muito forte em principalidade, o seu gross profit market share ainda era de 5%, indicando que a empresa se vê “no início do jogo” de monetização.

Tradução prática: o Nubank tem distribuição. Agora precisa transformar isso em captura de valor em mais momentos do dia a dia.

Pagamento deixou de ser “um método”. Virou “um lugar” na jornada

Quando o pagamento se integra ao contexto, ele deixa de ser um botão e passa a ser um motor de conversão.

Para o Nubank, integrar NuPay no checkout reduz fricção e cria alavancas de crédito e parcelamento no momento da decisão.
Para o Mercado Pago, a força está em transformar pagamento em conta, e conta em relacionamento, com tráfego vindo do marketplace e do mundo offline. O avanço para 68 milhões de MAU no 2T25 mostra escala e frequência.

O que o mercado está a assistir é a consolidação do “pagamento invisível”, aquele em que você sente o benefício, mas quase não percebe o acto. E, quando isso acontece, quem ganha é quem controla o ecossistema onde a compra se decide.

Então é guerra ou coexistência

Há competição, sim, mas o cenário tende a ser mais parecido com “coexistência agressiva” do que com um vencedor único, especialmente porque:

o consumidor latino já usa múltiplas plataformas
a principalidade pode ser segmentada por missão, contexto e categoria
ecossistemas crescem também por alianças e integrações

A própria imprensa internacional capturou o tom da provocação pública recente, com declarações que alimentam o imaginário de rivalidade, mas que na prática refletem ambição de ecossistema e liderança regional.

O que isso ensina para varejistas

A parte mais importante desta história não é “quem vai ganhar”. É o padrão estratégico por trás do movimento:

o valor migrou de vender produtos para operar um ecossistema.

E é aqui que marketplace deixa de ser “um projeto digital” e vira uma estratégia de receita e defensabilidade.

Marketplace in e out: o paralelo que você pode aplicar no seu negócio

Marketplace in

Você abre o seu eCommerce para sellers terceiros, amplia sortimento, reduz ruptura, monetiza comissão, serviços e mídia, e passa a capturar valor do ecossistema, não só do stock.

É a lógica do Mercado Livre aplicada ao seu contexto: mais oferta, mais tráfego, mais recorrência, mais monetização.

Marketplace out

Você distribui os seus produtos em ecossistemas consolidados para capturar demanda pronta, sem depender apenas do seu tráfego próprio. É uma alavanca de crescimento, especialmente quando combinada com pricing e operação preparados.

É a lógica do “estar onde o consumidor decide”.

O ponto-chave é que marketplace in e out não competem, eles complementam-se. O varejo mais resiliente nos próximos anos vai ser aquele que opera bem os dois.

Como a Devovea ajuda você a transformar eCommerce em marketplace e criar uma nova linha de receita

Se Nubank e Mercado Livre estão a provar que ecossistemas capturam a jornada e o valor, você não precisa de ser gigante para usar a mesma lógica.

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estratégia de marketplace e modelo financeiro (comissão, take rate, serviços, retail media)
desenho operacional (catalogação, SLA, logística, atendimento, devoluções)
governança e regras para sellers
arquitetura e integrações (pagamentos, antifraude, OMS, ERP, hubs, catálogo)
plano de lançamento por ondas, com métricas e metas claras

Se você quer criar uma nova linha de receita e aumentar defensabilidade, marketplace é um caminho direto.

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Não é sobre copiar gigantes. É sobre usar a estratégia certa para o seu contexto.